Educação Slideshow — 03 maio 2013

 Os Mandarins “Um projeto de Confúcio” 

Os mais ferrenhos opositores do Império foram os candidatos reprovados nos exames imperiais. O mais notável foi Hong Xiuquan ( * 1814 +1864 ) ele foi o quarto filho de uma família de cinco irmãos, todos camponeses.

 

(Por/Yi Chan:.)

hong Xiquan ( Xiuguan)

Em meio ao seu conservadorismo, Confucio teve uma posição revolucionária ao defender que o soberano deveria ser aconselhado por ministros e funcionários capazes, selecionados por mérito em exame aberto a todos, nos quais classe social ou origem familiar não teria influencia.

Esses homens, além de seu preparo intelectual deveriam seguir os princípios propagados pelo mestre Confúcio, com o comportamento exemplar.

Toda sociedade deveria tê-lo como espelho. A ênfase no mérito e a eliminação de restrições sociais abriam caminho para o enfraquecimento da aristocracia hereditária e o surgimento de uma nova fonte de poder na china.

Eles eram os mandarins; burocratas estatais civis estáveis, eram funcionários recrutados nos exames imperiais, que passaram a ser adotados de maneira  pouco institucionalizada a partir da dinastia Han ( 206 a.C. – 220 d.C.)

 “Hanyu é o principal nome da linguagem chinesa a linguagem do povo Han. 漢語 (tradicional)  /  汉语 (simplificado); “pinyin  hànyǔ.”

Entre o século  VI e VII os mandarins ganharam contornos formais durante a dinastia Sui (581 – 618 d.C., porém os imperadores Sui adotaram o sistema em reação ao aumento d poder das famílias aristocráticas, entre o século III e VI, durante um período de desagregação do estado chinês e enfraquecimento da autoridade central.

Tomando como direito a hereditariedade, essas famílias detinham os principais postos na administração da corte e, na prática dividiam ao poder com o imperador.

Os exames de seleção dos mandarins debilitaram a aristocracia familiar e criaram uma nova aristocracia; as dos funcionários civis responsáveis pela gestão do império.

 Os exames tiveram visível importância na sociedade chinesa durante vários séculos e só foram extintos no ano de 1905.

Nessa época a china desesperadamente tentava a modernização, com isso, seu imperador se debatia para manter o império que era agonizante naquela data, e assim, a dinastia Qing que tivera inicio em 1644 terminaria em 1911.

“No ano 1908, Partido Nacionalista (Kuomintang), seria fundado pelo médico Sun Yat-sen em oposição à monarquia e à hegemonia estrangeira.

Com o apoio dos militares nacionalistas, é proclamado presidente provisório em 1911, mas a república não consegue estabelecer-se em todo o país, que entra em longo período de guerra civil.

Mas os exames para mandarim  aberto a todos os homens , eles se tornaram o principal meio de ascensão  social e permitiram a formação de uma elite intelectual. A ideia de uma elite selecionada com base no mérito só ganharia espaço no Ocidente a partir do século XIX.

Contudo, na China ela foi adotada de maneira formal, ao mesmo tempo em que a Europa iniciava seu mergulho na Idade Média, e ainda se organizava em uma sociedade feudal.

A antiga aristocracia não teve escolha a não ser se submeter aos exames.entre os casos mais célebres está a família Lu,  Fan-yang , que produziu nada menso que 116 mandarins.

 

A resistência ao novo sistema foi lamentada por outros. Um eminente aristocrata de nome Hsueh Yuan-ch´ao, reconheceu com amargura na velhice que entre os três grandes erros que havia cometido na vida estava a decisão de não se submeter aos exames imperiais.

E sem nem um constrangimento disse que o segundo erro foi o de se casar com uma mulher de uma família de status inferior, já o terceiro erro (não foi um erro) não ter capacidade de conseguir o cargo de diretor cultural da corte.

A aprovação nos exames para mandarim era o principal sonho dos pais, pois o funcionalismo público passou a ser a mais lucrativa e honrosa carreira da China imperial, seria superior até a carreira militar. Sebe-se que a disputa era acirrada e a preparação, árdua.

Junto com o início de sua alfabetização que era por volta dos 7 anos, os garotos já começavam paralelamente a se preparar para as provas que haveriam de enfrentar anos mais tarde.

O concurso era aberto a todos os candidatos indiscriminadamente; porém contradizendo o que Confúcio apregoava somente os mais afortunados podiam pagar para ter uma educação que ficasse no nível desejado ao cargo que era almejado.

Porém ninguém estava certo de que sua vaga estava assegurada; pois, a concorrência era coisa desanimadora, muito maior que os mais concorridos vestibulares atuais no Brasil, por exemplo.

Estudiosos da cultura chinesa relatam que candidatos eram atraídos por livros especificamente publicados para concursos (super atual) prometendo facilitar a vida dos estudantes.

Alguns estudantes desesperados apelavam para métodos nada ortodoxos na busca da aprovação, a antiga “cola” algumas absurdas, as longas túnicas eram verdadeiros dicionários, etc. ( Nada se cria tudo se copia?).

Finalmente é relatada a existência da corrupção, muito pouca, mas, havia. até na era de Confúcio…

O escritor Ichisada Miyazaki em seu livro que traça a história do sistema de exames imperiais, diz que todos os exames eram isentos e realizados exatamente com a impessoalidade utilizadas até hoje ao redor do mundo. O sistema era o mesmo; os candidatos reprovados insistiam até não terem mais condições físicas e/ou intelectuais. Para alguns a frustração foi tanta que os levou à revolta contra o Império que sonhava integrar.

 

A Revolta dos Reprovados:

Os mais ferrenhos opositores do Império foram os candidatos reprovados nos exames imperiais. O mais notável foi  Hong Xiuquan ( * 1814   +1864 ) ele foi o quarto filho de uma família de cinco irmãos, todos camponeses. O insatisfeito Hong, quase derrubou a dinastia Qing (1644 – 1911) ao comandar  uma violenta rebelião que durou de 1850 a 1864; rebelião conhecida como “Rebelião Tai ping” :

Aos 22 anos o irrequieto Hong Xiuquan finalmente consegui ser aprovado na fase inicial do processo de seleção, isso lhe dava uma posição de baixo escalão na hierarquia oficial local e permitia que realizasse os exames imperiais, sua grande aspiração. Hong fez quatro tentativas, porem não foi aprovado; uma grande frustração.

“Veja que alucinação; na terceira vez que foi reprovado teve um colapso acompanhado de visões e delírios, nos quais um homem de barba lhe dava uma espada, e outro um pouco mais jovem, ensinava-lhe como deveria utiliza-la para matar os maus espíritos”.

 

Seis anos mais tarde ao ser reprovado pela quarta vez, Hong concluiu que os dois personagens eram Deus e Jesus Cristo; insensato; é que não há nenhuma relação com a cultura chinesa, nem nos temos modernos em que todos os lideres religiosos são monitorados;

principalmente os cristãos. (ele havia recebido um folheto muito antes, de um missionário evangélico, certamente um  daqueles pastores ingleses).

O oportunismo de juntar religião com politica é antigo; Hong reconheceu que Jesus Cristo era o seu irmão mais velho, e ele, por conseguinte era a caçula de Deus…

Os princípios que marcaram a pregação e a rebelião comandada por ele eram cristianismo fundamentalista radical, igualitários que atentava diretamente contra o núcleo dos valores confucionistas e imperiais (conf. o sinólogo Jonathan D. Spence).

chineses com trajetórias semelhantes à de Hong já haviam comandado ou mesmo participado de grandes revoltas  contra o império durante a dinastia Ming (1368-1644), Song (960-1279 e Tang (618-907).

O violento Li Chen, reprovado nos exames imperiais, foi conselheiro do líder de uma rebelião que chegou a destronar momentaneamente o imperador no fim da dinastia Tang.

Ressentido e indignado por seu fracasso nos exames imperiais voltou-se contra os que haviam tido sucesso nos exames imperiais, Li Chen executou trinta altos funcionários civis ; assim que chegou ao poder jogou os corpos no rio Amarelo – (em mandarim é “Huang He”.)

O desfecho: quando a revolta foi suprimida ele e sua família foram humilhados em praça publica e finalmente executados.

A Rebelião Taiping (1851-1864) foi um dos conflitos mais sangrentos da história, um confronto entre as forças da China imperial e um grupo inspirado por um místico autoproclamado, chamado Hong Xiuquan, que se dizia cristão e também intitulava-se irmão de Cristo. Seu objetivo era criar uma nova cultura, substituindo a tradição confucionista e budista por algo “novo” – moldado conforme às suas idéias.

A rebelião começou na província de Guangxi e estendeu-se rapidamente pela região do (Yangtze ) Rio Azul.

Os rebeldes tomaram Nanquim e desfecharam um ataque malsucedido a Pequim. As tropas imperiais foram auxiliadas por militares ingleses e mercenários estadunidenses que esmagaram a revolta reconquistando Nanquim, num cerco onde pereceu Hong Xiuquan.

O regime Qing, no entanto, jamais se restabeleceu da guerra civil e a ideologia dos revoltosos de Taiping — um misto de cristianismo e teorias radicais de igualdade social influenciou grupos revolucionários posteriores, inclusive o Partido Comunista Chinês. Um dos conflitos mais sangrentos da História, envolveu militares e civis; e saldo de 600 cidades destruídas, o certo é que em se tratando da China ninguém sabe bem a quantidade de pessoas envolvidas, estima-se que devido a guerra agravou-se a falta de alimentos, e que cerca de 50.000.000 de vidas foram perdidas.

“Confúcio (Kung-fu-tzu ; 孔夫子)O sábio terá nascido em 551 a.C.,”

 

 

Edit./Yi Chan

Yi Chan

 

 

 

 

 

 

 



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