Educação Saúde — 22 janeiro 2014

Com a retomada dos seus territórios colonizados, a China ressurgiu como um verdadeiro Dragão, estendendo as suas garras muito além do horizonte; entretanto,  não foi fácil se reerguer depois de  frequentes humilhações por potências militares e comerciais do Ocidente.

(Por/Yi Chan) 

Pudong_Shanghai Centro financeiro China.

“Desde do grande navegador Zheng He 郑和, com as suas  Esquadras de Navios do TesouroAté o início do século XIX, a China vivia em outro mundo. Parece que as poucas coisas em que eles pensavam durante todo esse tempo, eram em se divertir  e procriar, não existem outras explicações para que aquela nação ficasse  estagnada durante tanto tempo.”

 O que se pode  entender, é que depois da esquadra dos Navios do Tesouro, o Governo da China adormeceu durante IV séculos, esquecendo-se que “o mudo gira e a fila anda”

Lord Macartney

A China não admitia que outras nações pudessem competir de igual para igual com o seu império, isso foi irritando as nações ocidentais, que se sentiram desrespeitadas, formando assim, um bloco a confrontar o 中国人 “Zhongguo Ren “ povo do meio.

A seguir transcrevo, um trecho do livro ” Os Chineses” da ótima autora Cláudia Trevisan, sobre a visita do embaixador britânico Macartney à China, em que o resultado foi um fracasso; “o rei George III, não gostou ”

( O enviado britânico, permaneceu na China por cerca de sete meses, apesar de seus esforços para seduzir o imperador, a missão foi um fiasco.)

Qianlong ( 乾隆 Qiánlóng )  não só recusou os pedidos do rei George III, como demostrou desprezo pelos inúmeros presentes entregues por Lord Macartney, na tentativa de seduzi-lo com as criações da nascente indústria britânica.

“Como seu embaixador pode ver com seus próprios olhos, nós possuímos tudo. Eu não dou valor a objetos estranhos ou engenhosos, e não tenho utilidade para as manufaturas do seu país “, escreveu o imperador.

Qianlong ressaltou ainda que os europeus tinham necessidade absoluta da seda, porcelana  e chá produzido pela China e que a permissão para que fossem exportados era um sinal de benevolência do Império do Meio ( 中国 Zhongguo - nação central). A carta também revelava a convicção de que a China detinha uma posição superior em relação a todas as outras nações do mundo:

= Seu embaixador apresentou requerimentos que falham em reconhecer o princípio do Trono de “tratar estranhos que vêm de longe com indulgência” e exercer um controle pacifico sobre as tribos bárbaras ao redor do mundo. Mais ainda, nossa dinastia dominando uma miríade de raças ao redor do globo, estende a mesma benevolência em relação a todas elas.

Sua Inglaterra não é a única nação a fazer comércio no Cantão (atual Guangzhou). Se outras nações, seguindo seu mau exemplo, erroneamente importunarem meus ouvidos com mais pedidos impossíveis, como será possível para mim tratá-las com branda indulgência?)

Sem conseguir ampliar suas exportações e tendo de utilizar cada vez mais prata para cobrir o déficit com o país, o Império Britânico começou a vender ópio aos chineses.

Douguang

O produto vinha da Índia e seu consumo cresceu rapidamente, o que criou um grave problema social na China. Dados levantados por Jonathan Spence indicam que as exportações de ópio dos ingleses para o Império do Meio saltaram de mil caixas, em 1773,para 23.570 caixas em 1832.

O comércio não era feito diretamente pela coroa, mas por comerciante credenciados pela Companhia das Índias Orientais, que trocavam prata que recebiam por carta de crédito entregues por agentes da companhia no Cantão.

No início do século XIX a droga já chegara ao ponto de provocar dependência extrema e o número de viciados se multiplicava a cada ano, “um desastre para China “. Em 1839 o imperador Dauguang (1782-1850) enviou ao Cantão um dos seus mais respeitados burocrata Lin Zexu, com a missão de por fim ao comércio de ópio.

A partir daí todo o comercio Inglês com a China ficou suspenso, só seria retomado depois que todo ópio fosse recolhido para ser eliminado pela China. Lin Zexu, ainda escreveu uma carta e inusitada à rainha

Vitória, na qual apelava princípios morais para exigir a suspensão da venda de ópio à China pelos britânicos.

Mandarim – Lin Zexu

“Eu fui informado de que o consumo de ópio é proibido de maneira estrita em seu país; isso porque o dano causado pelo ópio é claramente entendido. Desde que não se permite que ele provoque dano em

seu próprio país, com mais razão ainda não deveria ser permitido que ele provocasse danos a outros países ; muito menos para  a China !

De tudo o que a China exporta a países estrangeiros, não há uma só coisa que não seja benéfica às pessoas. ”

Lin Zexu, ainda notificou que se alguém fosse pego traficando ópio seria executado, porém o quadro foi agravado quando um grupo de marinheiros bêbados assassinaram um chinês em Kowloon, perto de Hong Kong. Depois de um julgamento falho feito pelos próprios ingleses, absolvendo o infrator;  a revolta tomou conta das autoridades chinesas…

No mês seguinte, agosto , o primeiro navio de guerra inglês chegou à costa chinesa. Depois de vários incidentes entre embarcações dos dois países, a guerra teve inicio em novembro de 1839.

Para melhor entendimento dessa parte da historia, entre China e Inglaterra, siga o link:

China e Inglaterra 1793/94 confronto dos extremos  

Y í C h a n

 

 

    

 

 

 

 

(Por/Yi Chan)

 

 

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