Economia Política Slideshow — 27 março 2013

publicado em 27 de Março de 2013

Banco do Brics não deve entrar em funcionamento até 2016

O banco do Brics teria como missão financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que começaram nesta terça-feira, as negociações em torno do lançamento do banco de desenvolvimento do Brics

A 5ª Cúpula de Líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que começou nesta terça-feira, as negociações em torno do lançamento do banco de desenvolvimento do Brics enfrenta resistência da Rússia. Durante a reunião de ministros de Finanças, os emergentes fizeram  um esforço para superar o impasse russo, mas previsões apontam que a instituição só deve começar a funcionar após 2016

É perceptível que, a Rússia não quer definir nesta cúpula o montante que cada emergente vai dar para a capitalização do banco.

Moscou não vê que vantagens teria com a nova instituição, já que a infraestrutura que o país possui está  num bom estágio de  desenvolvimento.

Nas últimas semanas, as negociações se basearam num aporte inicial de US$ 50 bilhões, dividido equitativamente entre os cinco países.

O banco do Brics vem sendo concebido como uma estrutura complementar aos bancos de fomento nacionais,( no caso do Brasil, por exemplo, em nada atrapalharia os negócios do BNDS) e teria como missão financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável não só nos Brics, mas também em países de interesse destes.

Vários detalhes seguem em aberto: qual país vai sediar o Banco,  qual será sua forma de governança, e qual será a data de entrada em funcionamento. Segundo os mais otimistas, isso não deve acontecer antes do final de 2016.

Guido Mantega,  da Fazenda ,chegou em Durban na noite de segunda-feira para a cúpula. Mantega falou rapidamente sobre as expectativas do encontro com a imprensa brasileira no lobby do hotel Hilton, onde o alto escalão do governo estava hospedado.

De acordo com Mantega, o encontro dos emergentes tem uma agenda econômica importante, com avanços esperados em relação ao banco de desenvolvimento do Brics e no acordo de reservas entre os países Brics (Arranjo Contingente de Reservas ou Contingent Reserve Arrangement, da sigla em inglês CRA), que vai dar sustentabilidade e cobertura em caso de falta de recursos de algum país do grupo.

O fundo pode ser criado com um capital de US$ 100 bilhões.

Mantega afirmou que num contexto em que os países avançados estão crescendo muito pouco, “os Brics dependem mais de si mesmos”. O dinamismo econômico dos emergentes precisa ser melhor aproveitado, na opinião do ministro. “Nós devemos crescer juntos enquanto os países avançados resolvem seus problemas”, acrescentou.

Na manhã de terça-feira, os ministros de Finanças do Brics e presidentes dos bancos centrais reuniram-se  para costurar os pontos da declaração final da cúpula que ainda causavam divergências. Pelo menos dois pontos da agenda já estavam definidos: os bancos nacionais de desenvolvimento e instituições similares do Brics vão assinar dois acordos, respectivamente, de co-financiamento de infraestrutura na África, e cooperação e co-financiamento na área de desenvolvimento sustentável.

Às margens da reunião, o Brasil assinou com a China um acordo de troca cambial (swap) em moedas nacionais, no valor total de R$ 60 bilhões ou 190 bilhões Yuans                  ( 人 民币 Rénmínbì, a “moeda do povo” chinês ). , que permitirá aos dois países pagar em moeda nacional, sem necessidade de conversão em dólar ou outra moeda forte, compromissos de comércio e investimento. A presidenta Dilma Rousseff, como informou o ‘Valor PRO’, mostrou grande interesse no encontro bilateral  com Xi Jinping o novo presidente chinês, considerado um reformista com visões pró-mercado, que está em sua primeira reunião multilateral internacional.

 

Edit./J.Coutinho

 

 

 

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